Governadores temem que ‘motim’ de policiais se espalhem pelo Brasil

No grupo de WhatsApp que reúne os 27 mandatários estaduais e em conversas bilaterais, eles têm manifestado temor de que casos como o do Ceará se espalhem pelo resto do país, causando uma onda de insegurança na população e ameaçando o equilíbrio fiscal das unidades federativas.

Segundo relatos, em alguns Estados as entidades que representam os policiais militares têm usado o fato de Minas ter dado aumento além da inflação como argumento para endurecer as negociações.

Um secretário estadual revelou ao Estado, sob a condição de que seu nome não fosse revelado, que em uma reunião para negociar aumento de salários o representante dos policiais disse: “Se o Estado de Minas está quebrado e deu 42%, por que aqui vocês dizem que não podem dar?”.

Governadores têm usado expressões como “populismo”, “falta de pulso” e “inexperiência política” para se referir a Zema. Alguns deles disseram no grupo de WhatsApp que simplesmente não têm caixa para bancar aumentos acima da inflação na folha de pagamento. O temor é maior entre os governadores que têm os maiores contingentes de policiais.

No grupo de WhatsApp, os mandatários também têm associado o aumento da agressividade dos policiais nas negociações ao crescimento da participação do setor nos legislativos locais, impulsionado pelo bolsonarismo. Levantamentos mostram que o número de deputados que se elegeram em 2018 usando patentes militares em seus nomes pode ter quadruplicado. A maior parte deles teve grande votação entre policiais com discurso de defesa dos direitos da categoria.

Um governador lembrou que o próprio presidente Jair Bolsonaro cresceu na política defendendo os interesses deste setor, e se envolveu em casos de insubordinação por aumento de salários quando ainda estava nas Forças Armadas.

Fonte: Diário do Amazonas