CHICO XAVIER FOI DESMASCARADO. ERA UM CHARLATÃO.

“Desmascarado Chico Xavier pelo sobrinho e auxiliar!”.

O rapaz, que foi caracterizado pelo pai como um “doente da alma”, fez declarações polêmicas ao Jornal o Diário de Minas.

Chico Xavier publicou o livro Nosso Lar, em 1944, que acabou vendendo mais de um milhão de cópias. O sucesso foi só o primeiro de toda uma saga de obras conhecidas como A Vida no Mundo Espiritual. A série foi psicografada por Chico, que a atribuiu ao espírito do médico André Luiz.

Só que a credibilidade do legado do famoso médium enfrentou uma enorme polêmica, no ano de 1958, por causa de seu próprio sobrinho, Amauri Xavier. O rapaz, que também costumava dizer que tinha dons mediúnicos, se revelou ao Jornal o Diário de Minas como sendo um falso médium. Tudo, na verdade, teria sido uma farsa.

Entrevista controversa

O problema é que na entrevista Amauri não relacionou o charlatanismo apenas a si mesmo, mas incluiu Chico na confusão, causando uma enorme polêmica. Segundo o sobrinho, ele sabia ser um imitador muito capaz e as obras que ele e o tio psicografavam em Pedro Leopoldo não passavam de resultado da habilidade criativa e da facilidade para imitar o estilo de poetas famosos.

Amauri contou ao Diário de Minas que escrevia poemas há muitos anos. Ele costumava atribuir a obra ao espírito do poeta Castro Alves e afirmava “ter sido escolhido pela espiritualidade para divulgar na Terra um novo Lusíadas”.

Uma das poesias de Amauri era Os Cruzílidas, cujos versos eram supostamente assinados por Camões, e contavam que Cabral teria sido guiado pelos espíritos. “Assim como tio Chico, tenho enorme facilidade para fazer versos, imitando qualquer estilo de grandes autores”, contou ao jornal. “Tio Chico é inteligente, lê muito”.

A história então foi replicada em vários jornais, mas o escândalo foi causado especialmente pelo Jornal O Globo, que na edição de 16 de julho de 1958, estampou em uma manchete: “Desmascarado Chico Xavier pelo sobrinhoauxiliar!”.

Um outro lado

Diante da polêmica, outro veículo da imprensa, o Diário da Tarde, de Belo Horizonte, revolveu enviar um repórter a Minas Gerais, para entrevistar Amauri. Só que ele não estava na cidade, mas sim na capital mineira.

O jornalista conseguiu falar então com o delegado Agostinho Couto, que o informou que Amauri era nada mais do que um alcoólatra e “um desordeiro”. O moço já teria roubado uma casa e sido expulso da cidade várias vezes.

O pai de Amauri, Jaci Pena, também chegou a falar mal das atitudes do filho, que segundo ele era um “doente da alma”. “Todo mundo sabe disso. É dado a bebidas”, teria dito Pena. “Chico conhece Amauri. As declarações dele não alteram nada”.

Chico se muda

Em 1959, um anos após as declarações de Amauri, Chico Xavier deixou a cidade natal Pedro Leopoldo e foi para Uberaba, também em Minas Gerais, dizendo que a mudança era em prol de sua saúde. Ele queria resolver dificuldades respiratórias, que estavam difíceis de serem solucionadas.

Sobre esse episódio, o autor Carlos Alberto Braga Costa, que escreveu o livro Chico Xavier – Do Calvário à Redenção, conta que o médium famoso teria se mudado para proteger o sobrinho, tratando da questão com o maior cuidado possível. “Foi um testemunho de compreensão a este jovem que estava doente mentalmente”, disse Costa.

Triste fim 

Amauri continuou tendo recaídas por causa do seu vício em bebida alcóolica. Ele acabou morrendo aos 27 anos de idade, no dia 26 de Junho do ano de 1961. A causa de sua morte não foi divulgada, mas há suspeitas de que estaria ligada à hepatite.

Anos depois a morte, o líder espírita deu declarações à imprensa sobre o sobrinho. “Quanto ao meu sobrinho, era um perturbado. Bebia muito, não trabalhava direito, acabou louco”, disse o médium. “E morreu há alguns anos. Ele fez aquilo, ao que parece, pela sedução do dinheiro. Que o altíssimo o perdoe.”

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol